quinta-feira, 20 de março de 2014

Plano de aula de Hermenêutica básica - Curso de Formação de Obreiros.

PLANO DE AULA DE HERMENÊUTICA

1-      CONCEITUANDO O TERMO.
O termo “Hermenêutica” procede do verbo grego hermeneuein, usalmente traduzido por interpretar, e do substantivo hermeneia , que significa interpretação. Tanto o verbo quanto o substantivo podem significar traduzir, tradução,explicar ou explicação. Hermenêutica é a ciência que se objetiva a formular regras gerais e específicas de interpretação. É a ciência da interpretação.
2-      Breve resumo sobre Hermenêutica.
A disciplina que estuda as regras de interpretação de um texto e, portanto, no contexto teológico, a disciplina se preocupa sobretudo da interpretação bíblica. Os primeiros teólogos cristãos herdaram os métodos hermenêuticos empregados pelos hebreus e pelos gregos. Por isso, as vezes, interpretavam os textos literalmente, outras vezes, alegoricamente, da mesma maneira que intérpretes pagãos interpretavam Homero e outros poetas antigos e, às vezes, como profecia, como se fazia em alguns círculos judeus. A isso os cristãos com freqüência acrescentavam um método cristocêntrico de interpretação, a tipologia, que via, nem tanto as palavras da Escritura, como acontecimentos que se narram como sinais que apontam até seu cumprimento em Jesus Cristo. Alguns propuseram certos princípios hermenêuticos. Assim , por exemplo, Clemente de Alexandria( c. 150- c. 215) insistia em que nenhum texto bíblico deve ser interpretado de tal modo que pareça dizer algo indigno de Deus. O que Clemente queria dizer com isso era que toda linguagem antropomórfica sobre Deus devia ser interpretada em termos filosóficos. Orígenes (c. 185- c.254) e outros afirmavam que cada texto tem várias camadas de sentido, que levam do literal ao espiritual. Em geral, os alexandrinos preferiam a interpretação alegórica, enquanto que os antioquenos se inclinavam para interpretações mais literais ou tipológicas.
Durante a Idade Média tornou-se costume interpretar toda a Biblia cristológicamente. Essa tendência se fortaleceu devido ao costume de ler os textos do Antigo Testamento com base na sua relação com as diversas festas e estações do ano litúrgico, cuja estrutura é, essencialmente cristocentrica, pois celebra os principais acontecimentos na vida de Jesus.Alem disso, nos monastérios recitavam-se regularmente os Salmos, sempre em contextos cristológicos. A conseqüência disto pode ser vista no próprio Lutero, cuja experiência monástica levou a ler os Salmos como passagens referentes a Jesus e em suas relações com os crentes e com a igreja. Conforme os escolasticismo  se tornou dominante , seu método de citar autoridades, tanto a favor como contra uma postura particular, e de cita-las com freqüência fora de seu contexto, resultou em uma interpretação dos textos citados, sem ao menos considerar seu contexto literário ou histórico.
A concentração de Lutero na justificação pela fé como ferramenta hermenêutica fundamental levou a questionar o valor da epístola de Tiago. Sua posição ao papado é, com freqüência, vista em sua interpretação de muitas das passagens mais negativas de Apocalipse. Ao insistir na autoridade das Escrituras, tanto ele como os demais reformadores abriram o caminho para novas discussões sobre os princípios e a prática da Hermenêutica. Ao mesmo tempo em que declarava que a tradição não tem autoridade sobre a Biblia, Calvino insistia na interpretação tradicional de Cantares de Salomão como uma canção de amor entre Deus e a alma e considerou Sebastião Castelo (1515-63) herege, por declarar que se tratava de uma canção erótica. Tanto Lutero como Calvino entendiam que as Escrituras proporcionavam um caminho infalível e seguro até o conhecimento de Deus, mesmo que isso não queira dizer que a Biblia seja infalível em todo detalhe. O Escolasticismo protestante e também o catolicismo tridentino voltaram a prática de citar textos fora de seu contexto, e de unir textos desconectados com a finalidade de provar suas posturas. Foi isso que requereu a infalibilidade literal das Escrituras, visto que o argumento apoiado por tal uso de texto só é valido se os mesmos textos forem infaliveis,  mesmo quando são considerados fora do seu contexto. A contrapartida de tal uso da Bíblia foi o desenvolvimento dos métodos históricos e críticos da investigação moderna. Dentro desse movimento a atenção centrou sobre questões sobre quando um livro foi escrito, quais foram suas fontes, quem é seu autor e etc. Os resultados dessa investigação com freqüência contradiziam o que antes era dado certo. Ocasionalmente , tais temas atraiam a atenção de estudiosos da Biblia , a ponto de se discutir pouco sobre o que os próprios textos diziam ou significavam. Tal situação começou a mudar no começo do século XX , quando a neo-ortodoxia e outros movimentos teológicos começaram a regressar para a questão sobre o que a Biblia diz, mesmo que agora considerem os resultados da critica histórica e literária. Durante todo esse século houve um crescente interesse na interpretação dos textos e em sua pertinência para a vida da igreja e do crente. Mas isso não podia ser uma leitura inocente do texto, não so porque tal leitura contradiria o que os eruditos  haviam descoberto, mas também porque, conforme o século XX foi avançando , tornou-se cada vez mais obvio que a interpretação é sempre um dialogo entre o interprete e o texto, e que enfocar em um texto questões a partir de uma perspectiva diferente pode levar a repostas inesperadas. As diversas teologias contextuais insistem sobre este ponto, e o provam com inúmeros exemplos. Alem disso conforme a pós modernidade avança, essa questão da importância da perspectiva do leitor se tornou uma das principais preocupações da teologia hermenêutica, na qual se debatia como um texto do passado, e de uma cultura diferente, podia ser entendido e interpretado por leitores  do século XXI. Teriam os textos uma autoridade que o intérprete não pode violar? O que acontece quando diversas circunstancias levam a ver essa autoridade de modos diferente? Seria verdadeiramente possível ouvir o que o leitor quis dizer? Seria possível aproximar-se a ele? Como saberemos que o temos feito? O significado de um texto depende da resposta do leitor. Essas e muitas outras questões semelhantes tem dominado a discussão hermenêutica no final do século XX e no começo do XXI.
3-      PERGUNTAS A SEREM FEITAS AO TEXTO.

a)      Qual é a idéia central do texto em foco?
b)      Em contexto escreveu o autor?
c)       Quais são as possíveis aplicações a serem feitas com base nele?

4-      CHAVES HERMENÊUTICAS.
a)      Ler. A leitura como primeiro elemento do processo hermenêutico é geralmente denominada como processo de observação. Ela implica no processo cuidadoso e completo do texto. Quanto mais nos saturarmos do texto melhor o estudo.
b)      Interpretar.  Implica no discernimento do texto, baseado nas observações já feitas. Exige a busca pelo significado e compreensão  do sentido escrito e  transmitido pelo autor bíblico aos seus ouvintes contemporâneos.
c)       Relacionar. Esse principio aborda a necessidade de reconhecermos a inter-relação entre textos e textos na Biblia. A Biblia interpreta a própria Biblia. Também é importante abordar a relação da parte com o todo.
d)      Aplicar. Deve ser tomada como alvo de todo o estudo bíblico. A aplicação se refere à prática do que foi estudado. A ausência de aplicação revela uma tarefa incompleta e inacabada.

5-      GÊNEROS LITERÁRIOS

·         A medida que lemos de Genesis a Apocalipse,passamos por histórias, leis , poesias , sabedoria, profecia, evangelhos, epistolas e literatura apocalíptica. Quando conhecemos o estilo – gênero  da literatura que estamos lendo, podemos entende-la melhor.  Lemos história com uma postura diferente de poesia. Generos diferentes evocam expectativas e estratégias de interpretação diferentes.


6-      FIGURAS DE LINGUAGEM

·         SÍMILE.  O vocábulo símile significa semelhança. Vejamos o exemplo do Salmo 1:3,4. Parábolas e Símiles se parecem. Em linguagem mais popular, a Símile trata de uma comparação de duas coisas,ação, grupos, idéias e etc. O emprego da símile ocorre tipicamente na frase que contém “semelhante “ ou “como”, porém não é uma regra.
·         METÁFORA. É uma comparação subentendida, ou seja, aquilo que está na mente, mas não foi expresso. Na metáfora o uso das palavras “semelhante” ou “como” são dispensadas , o que a diferencia da Símile. Em Lucas 13:32 o Senhor Jesus utilizou respeitosamente o qualitativo “aquela raposa”(astuto, malvado) quando se referiu a Herodes, o que se constitui uma metáfora.Caso houvesse dito que Herodes era como uma raposa(animal) então a figura denominada seria uma símile.
·         Varias outras que em sala de aula estudaremos.


Alisson de Almeida

FONTES DE CONSULTA
A espiral Hermeneutica (Grant R. Osborn)
Lendo a Biblia com o coração e a mente ( Tremper  Longman III)
Breve dicionário de Teologia ( Justo González)

Todas as parábolas da Biblia ( Herbert Lockyer)

quarta-feira, 19 de março de 2014

Plano de aula - Administração Eclesiástica com Enfase em Liderança Cristã

PLANO DE AULA DE ADMINISTRAÇÃO ECLESIÁSTICA (ENFASE EM LIDERANÇA)

Objetivos: 
·         Delinear acerca da necessidade de capacitação do líder, mostrar a importância da gestão  e das estratégias no ministério cristão.
·         Destacar pontos indispensáveis ao líder
·         Falar um pouco sobre os fundamentos da Teologia do Voluntariado.
·         Tratar da questão da auto-avaliação no ministério.
·         A visão do líder como fato determinante.

1-      A TAREFA DO LIDER

a)      Capacitação.  Qual é a principal responsabilidade de um líder? O que devem fazer os lideres espirituais para cumprir sua missão? Precisamos agora entender o significado de liderança, sobretudo  liderança espiritual. Qual seria a definição mais adequada de liderança no contexto ministerial? São várias  a maneiras de caracterizar e descrever a liderança, dependendo do autor , já que cada um deles fala a partir de uma estrutura organizacional.
b)      A melhor definição que encontramos é:  Liderança espiritual consiste no cultivo de relacionamentos com as pessoas de uma instituição ou corpo cristão, de tal forma que os indivíduos e ou grupo sejam capazes de formular e de atingir metas compatíveis com a Bíblia que atendam as necessidades reais. Por sua influencia ética, o líder espiritual tem como função motivar e capacitar outros a realizar o que , de outro modo, não seja possível. É fundamental que se enfatizem os objetivos dos outros( do grupo ou do individuo), e não  os objetivos pessoais do líder. Um líder é alguém que outros seguirão de boa vontade e voluntariamente.

2-      LIDERANÇA E GESTÃO

a)      Um bom líder deve ter algumas boas habilidades de gestão. E bons administradores geralmente tem algumas qualidades de liderança.

·         A VISÃO. A visão do líder ultrapassa a do administrador.O líder vislumbra a realização de objetivos jamais sonhados por outros. George Bernard S.H.A.W: “As pessoas vêem as coisas e dizem: ‘porque?’. Mas eu sonho com coisas que jamais existem e digo ‘porque não?’. O líder não só tem sonhos assim, como também inspira outros a compartilhar seus sonhos.
·         RENOVAÇÃO. Substituir modelos ultrapassados, criar novos objetivos, motivar ou recrutar pessoal. Do ponto de vista cristão, Jesus Cristo foi o maior líder que o mundo já viu. Com os poucos discípulos rudes ele fundou um reino que jamais terá fim, um reino contra o qual as portas do inferno não prevalecerão.
·         ORIENTAÇÃO. O administrador pensa na eficiência: o líder , em valores. O administrador orienta rapidamente as pessoas: o líder ouve o que as pessoas tem a dizer. O administrador diz muitas vezes( não dá para fazer)(ou talvez seja possível); o líder diz;”precisamos descobrir um meio de faze-lo”, e vamos fazer”.

3-      ESTRATÉGIAS DE LIDERANÇA

São 5 elas. Vejamos:

a)      Lider é alguém que ouve. Liderança requer comunicação eficaz e a primeira exigência da comunicação eficaz é saber ouvir. “Meus amados irmãos , tende certeza disso: Todo homem deve estar pronto a ouvir, ser tardio para falar”(Tg 1:19). A verdadeira liderança começa pelo ouvir. É obvio que o líder tem de ouvir o que Deus diz, mas precisa ouvir também o que diz o povo de Deus.(Exemplo Roboão)
b)      Lider forma equipe. O líder usa sua influencia para formar a equipe. Moisés achou que podia fazer tudo sozinho, porém Jetro lhe disse basicamente o seguinte:”é impossível , você precisa de uma equipe para compartilhar com ela suas responsabilidades!”. Um líder sábio ouve o conselho de Jetro.
c)       Lideres inspiram. O líder espiritual inspira as pessoas a reconhecer suas necessidades, valores e objetivos espirituais, e , em seguida, facilitam o crescimento nessas áreas vitais. Lideres espirituais bons e eficazes transmitem as pessoas um espírito de entusiasmo revigorante e edificante pela pessoa de Cristo, pelo crescimento nele e pela missão da igreja.
d)      Lider se preocupa com valores. O problema de inúmeras organizações é que seus lideres estão fazendo muita coisa desnecessária( e talvez estejam fazendo muito bem) , mas não sabem porque as fazem, exceto pelo fato de que são práticas habituais e é isso que as pessoas esperam. Enquanto isso, muitas coisas que precisam desesperadamente ser feitas, são negligenciadas  por causa dessa mentalidade de manutenção e de devoção a tradição.
e)      O líder sabe equilibrar prioridades. O bom líder espiritual é capaz de manter ao mesmo tempo as prioridades diversas no centro de suas preocupações, equilibrando com muito cuidado todas e atribuindo a elas o peso e a atenção devida sem jamais sacrificar nenhuma. Jesus , centrado em todas as dimensões da liderança , preocupava-se igualmente com o individuo, com o grupo e com a tarefa que tinha diante de si.

4-      TEOLOGIA DO VOLUNTARIADO

Mas o fato é que não é fácil atingir um nível de excelência com um grupo de voluntários sob vários aspectos, pagar alguém para fazer o trabalho do ministério pode parecer mais fácil do que recorrer a voluntários. A igreja certamente funcionaria melhor, mas será esse um objetivo válido para o corpo de Cristo? Enfatizemos 4 imagens do Ministério :
a)      O líder servo. João Batista disse que não era digno de desatar as sandálias de Jesus, e agora esse mesmo Jesus, lavava os pés dos discípulos.
b)      O Sacerdócio Santo. O texto de 1 Pd 2:9 mostra muito bem que não faz sentido separar o sagrado do secular no trabalho e na vida. Hoje , todo cristão tem uma responsabilidade, que no  inicio foi colocada sobre os ombros de uns poucos.
c)       O conceito de Corpo.  Jesus se comportou como servo para deixar exemplo aos que são lideres em sua igreja, cuja estrutura é constituída basicamente de voluntários. Todo membro da estrutura tem uma posição de honra , porque todos fazem parte de um sacerdócio santo.  A estrutura é afetada ou se torna ineficiente quando partes dela permanecem inativas e não contribuem para a saúde e para o serviço do todo.
d)      O líder equipa os crentes. Uma teologia verdadeira do voluntariado crê que a obra do reino de Deus prossegue mesmo quando os programas formais e informais da igreja pareçam contar com pouca gente. Como responsável pela preparação das pessoas, é preciso garantir que o povo de Deus tenha um conhecimento adequado da Escritura e uma união adequada em Cristo, de modo que possam crescer até chegar a maturidade. São objetivos que se alcançam com o maior proveito por meio dos ministérios de ensino e adoração da igreja local, e a eficácia desse ensino e dessa adoração requer a participação intensa do voluntariado.

5-      A  AVALIAÇÃO
Será possível que estamos andando em círculos? Ao permitir que o povo de Deus enxergue em seu trabalho um valor sagrado, estamos autorizando as pessoas a abandonar as necessidades da igreja? Ou será que permitir que elas vejam todo o trabalho como um ministério irá ajuda-las a ver que precisam aprender  mais e preparar-se melhor para esse ministério?

Vemos aqui todo o perfil da liderança equipada por Deus para a satisfação dos seus anelos.

LIVROS CONSULTADOS

Curso para formação de lideres e obreiros- (David Horton)

terça-feira, 18 de março de 2014

Plano de aula de Eclesiologia - Curso de Formação de Obreiros

Plano de aula de Eclesiologia
Objetivos:
·         Conhecer um pouco sobre a natureza da igreja.
·         Um pouco sobre o seu início.
·         Abordar  acerca da importância dos Sacramentos ou ordenanças.
·         Apresentar o Governo da Igreja sob a ótica bíblica.
·         Falar sobre sua missão primordial.

1-      CONCEITUANDO ECLESIOLOGIA

a)      Etmológica: Do Gr. Ekklesía logos ou seja, “um tratado sobre a igreja”.
b)      Extensiva: É um estudo  da Bíblia voltado para a igreja, nos seus problemas e deveres, cuja finalidade precípua é levar as igrejas a um ajustamento perfeito aos postulados da Palavra de Deus, proporcionando o crescimento dos rebanhos do Senhor. O “Manual  das igrejas é a Bíblia toda sem reservas. Dentro da Palavra de Deus destacamos dois livros – 1 e 2 Coríntios – que de modo particular tratam diretamente da Eclesiologia. A esses acrescentamos Atos dos Apóstolos, Efésios, 1Timóteo e Tito.

2-      BREVE RESUMO SOBRE A IGREJA.

Aquela parte da teologia que se refere à igreja e sua natureza ( em alguns círculos, usa-se o mesmo termo para se referir à arte de desenhar e decorar igrejas). A palavra “eclesiologia” deriva do grego Ekklesia e de sua transliteração latina, ecclesia. O termo grego originalmente se referia a qualquer assembléia  que fosse convocada – por exemplo, a assembléia dos cidadãos atenienses – mas em círculos cristãos começou a ser utilizada unicamente par o corpo dos crentes.
No Novo Testamento não existe uma eclesiologia como tal. Mas se utilizam muitas imagens para descrever a igreja, e cada uma delas sublinha um ou vários aspectos da realidade eclesiástica – corpo de Cristo, esposa de Cristo, povo de Deus,arca da salvação, edifício de Deus, sacerdócio real, vinha do Senhor , etc. Todas essas são referencias , assim como o testemunho do Novo Testamento, que indicam que a igreja é elemento fundamental do evangelho cristão, cuja proclamação fica incompleta se não convida as pessoas a se unirem ao corpo de crentes. Durante a era patrística , as muitas controvérsias teológicas, e particularmente a necessidade de responder aos desafios do gnosticismo e do “marcionismo” levaram a uma ênfase crescente sobre a autoridade da igreja. Dali surgiu a doutrina da sucessão apostólica, e a ênfase sobre a apostolicidade, unicidade e catolicidade como sinais ou marcas da igreja. Assim, no século III, Cipriano declarou que não há salvação fora da igreja, e que não é possível ter Deus por Pai  ser ter a igreja por mãe – afirmações que tanto Lutero como Calvino mais tarde citaram e aprovaram. Naquela época , já havia debates entre os cristãos sobre a pureza da igreja, e esses debates se tornaram mais agressivos no século IV( Novacianismo; Donatismo). Como resultado deles , a santidade também ficou definida e declarada como um dos sinais da igreja. Depois enquanto o credo original de Nicéia afirmava simplemente a fé no Espirito Santo, ao texto que foi emendado em Constatinopla no ano de 381 acrescenta-se “ e a igreja una , santa, católica e apostólica”.
Um dos temas constantes na eclesiologia tem sido a relação entre a igreja como corpo de crentes em um lugar particular – como no caso da “igreja de Laodicéia” ou a “Primeira Igreja Metodista” – a igreja como corpo nacional ou internacional – como a “Igreja da Inglaterra” ou a “Igreja Presbiteriana” – e a igreja como corpo de todos os crentes – “a una , santa, católica e apostólica”. Fica claro que a igreja una, santa, católica e apostólica existe na terra somente em sua encarnação em congregações locais, em organizações eclesiásticas, denominações e etc. Mas somente algumas denominações mais dogmáticas e exclusivistas pretendem que elas, e somente elas, sejam a igreja de Jesus Cristo. Como então,relacionam-se esses diversos “níveis” ou encarnações da igreja entre si e com o Corpo de Cristo, que obviamente é um só¿
Uma opinião tem sido bastante comum desde os tempos de Agostinho ( 354 – 430), e que serve de resposta parcial a essa ultima pergunta, é a distinção entre igreja visível e invisível. Nessa distinção , a igreja invisível, que segundo a maioria dos teólogos  somente Deus conhece, é a companhia de todos os que devem ser salvos. A igreja invisível é a comunidade terrena na qual os membros da igreja invisível são convocados pelo Espírito Santo,mas na qual o trigo e o joio permanecem misturados. No caso do próprio Agostinho, essa distinção não pretendia diminuir a importância da igreja e de suas estruturas, mas ao contrario: o que se pretendia era sustentar a autoridade e importância da igreja visível ainda em meio as suas imperfeições. Mas posteriormente outros utilizaram a mesma distinção para declarar que a igreja visível tem pouca ou nenhuma importância , que é possível abandoná-la sem temor algum, visto que no final das contas eles são membros da igreja invisível.
Outro ponto de desacordo em questões eclesiológicas tem sido a relação entre a natureza da igreja e eu governo. Desde muito cedo, houve na igreja dirigentes que recebiam os títulos de bispos, presbíteros ou anciãos(sacerdócio) e diáconos. Mesmo que durante algum tempo um presbítero fosse o mesmo que um Bispo, no século II já existia a hierarquia tripartida de bispos, presbíteros e diáconos. Porém , isso não quer dizer que a igreja fosse uma hierarquia, mas simplesmente que tinha um sistema de governo hierárquico. Durante a idade Média uma visão altamente hierárquica de toda a criação levou também,  a uma visão hierárquica da igreja, de tal modo que a própria igreja consistia em uma hierarquia. Como qualquer hierarquia , os membros inferiores derivam sua autoridade, e ate sua existência dos superiores. Isso levou a tal ponto que era comum falar da “igreja” como o clero, e particularmente os altos níveis do mesmo, como se os leigos não fossem a igreja. No século XX, esses extremos foram moderados pelo Segundo Concílio Vaticano ao se referir a igreja como o povo peregrino de Deus e ao afirmar o sacerdócio de todos os crentes. Em contraste com tal visão hierárquica da igreja, outros afirmaram que a igreja é o corpo dos crentes, e que é nele que a autoridade reside. Tal foi a postura do conciliarismo do final do medievo, e tem sido a posição que prevalece em muitas igrejas protestantes, onde se afirma que em ultima instancia , a autoridade reside nos crentes. No século XVI, os reformadores – particularmente Lutero e Calvino – insistiram que o que constitui a igreja não é nem sua hierarquia nem seus membros, mas a Palavra de Deus, com isso queriam dizer a Palavra pregada no púlpito e demonstrada nos sacramentos. Por isso a afirmação de Calvino que” em toda a parte vemos a Palavra puramente pregada e ouvida, e os sacramentos administrados segundo a instituição de Cristo, ali, sem duvida alguma , existe uma igreja de Deus”.


3-      SACRAMENTOS OU ORDENANÇAS

Vejamos de forma resumida as posições de alguns compêndios de Teologia Sistemática.
a)      TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO( Donald Guthrie) – As Ordenanças.
É importante verificar se os evangelhos sinóticos dão alguma indicação de que Jesus planejou que a comunidade de seus seguidores tivesse algum modelo de observâncias religiosas em relação ao Batismo e à Ceia do Senhor. As observâncias são, às vezes, chamadas de ordenanças e , às vezes, de sacramentos. A primeira forma tem sido preferida, mas não há diferença de significado entre elas. O que é básico para essas observâncias é o fato de que elas são ritos prescritos dentro da igreja cristã. A palavra “ordenança” claramente expressa esse sentido.
b)       TEOLOGIA SISTEMÁTICA(Franklin Ferreira e Alan Myatt).
A igreja é caracterizada pela administração das ordenanças. Faremos bem em ter diante de nós o que John  Stott afirmou sobre ordenanças: “As igrejas protestantes tradicionalmente tem-se referido ao batismo e à Ceia do Senhor como “sacramentos do evangelho”(pois dramatizam as verdades centrais das boas-novas) ou “sacramentos da graça”(pois apresentam de modo visível a graciosa iniciativa salvadora). O movimento primário que os sacramentos do evangelho envolvem é de Deus para o homem, não do homem para Deus. Como ele enfatiza, “não nos batizamos a nós mesmos”. Submetemo-nos ao batismo. E mais: “Não administramos(ou não deveríamos administrar) os elementos(da ceia do Senhor) a nós mesmos. Eles nos são dados; nós os recebemos”. Podemos concluir que “em ambos os sacramentos somos mais ou menos passivos, recipientes e não doadores,beneficiários e não benfeitores”. Por isso, as ordenanças são sinais visíveis de uma graça invisível, tendo dois elementos principais: O sinal visível e a graça invisível.
c)       TEOLOGIA SISTEMÁTICA, HISTÓRICA E FILOSÓFICA(Alister E. McGrath).
O Novo Testamento não utiliza especificamente o termo sacramento. Em vez disso encontramos a palavra grega ‘mysterion’(que é traduzida como “mistério”), usada em geral como referencia a obra redentora de Deus. Esta palavra grega nunca é usada como referencia a algo que hoje consideraríamos como sacramento(por exemplo, o batismo). No entanto, fica claro, a partir do que sabemos da história da igreja primitiva, que houve uma ligação, bem a princípio, entre o “mistério”da obra redentora de Deus em Cristo e os “sacramentos” do batismo e da eucaristia.
Em geral , Agostinho é considerado como aquele que estabeleceu os princípios gerais relativos à definição dos sacramentos. Os princípios são os seguintes:
·         O Sacramento é um sinal.”Os sinais, quando relacionados às coisas divinas, são chamados sacramentos”.
·         O sinal deve guardar alguma relação com aquilo que ele representa.”Se os sacramentos não guardassem certa semelhança com as coisas que representam, não seriam absolutamente sacramentos”.
·         Parafraseando a conclusão do autor sobre a temática abordada ele sintetiza por meio de tópicos dizendo que os sacramentos fortalecem a fé, intensificam a unidade e o compromisso da igreja e renovam nossa confiança nas promessas de Deus.


4-      O GOVERNO DA IGREJA

a)      Conceituando.
Segundo o Dicionário Brasileiro de Língua Portuguesa – Mirador Internacional: “Governo vem a ser o efeito de governar”. Nada menos de 12 acepções e oito gêneros, entre eles o “eclesiástico” ou “espiritual”.
A palavra governo significa: governo, direção por um piloto(administração pastoral) e etc.
Nossa compreensão do governo da igreja de Cristo deve começar com o próprio Senhor e a autoridade de seu reino. Ele é o Cabeça da igreja: seu domínio é único e imcomparável. Todo governo na igreja é mordomia, ou seja, seus líderes são servos administradores, que usam sua autoridade somente para defender os interesses daqueles que representam e servem.
Como o reino salvador de Cristo é espiritual, e não temporal, o poder dado à igreja deve ser também espiritual. O governo da igreja não pode usar sanções políticas nem força física.(Jo 18:36,37; Mt 22:16-21;2Cor 10:3-6). A autoridade da igreja , fundamentada na Palavra de Cristo, também é limitada a essa Palavra. A obediência cristã ao governo da igreja é obediência ao Senhor, pois sua Palavra governa a igreja.A liberdade consciente de desobedecer é legítima se o governo da igreja ordenar qualquer coisa que seja claramente contrária à Palavra.

b)      TEOLOGIA SISTEMÁTICA ATUAL E EXAUSTIVA(Wayne Grudem) O Governo da Igreja.
As igreja s hoje têm muitas diferentes formas de governo. A igreja Católica Romana tem um governo mundial sob a autoridade do papa. As igrejas episcopais tem bispos com autoridade regional e , acima deles, arcebispos. As igrejas presbiterianas dão autoridade regional aos presbitérios e autoridade nacional aos concílios. Todavia , as igrejas batistas e muitas outras igrejas independentes não têm autoridade oficial de governo alem da congregação local, e a filiação a outras denominações é voluntária.
OS OFICIAIS DA IGREJA
Um oficial da igreja é alguém publicamente reconhecido como detentor do direito e da responsabilidade de desempenhar certas funções para o benefício de toda a igreja.
·         Apostolos
Segundo  Grudem, os apóstolos do Novo Testamento tinham um tipo singular de autoridade na igreja primitiva. Autoridade para falar e escrever palavras que se tornaram palavras da Biblia. Hoje alguns usam a palavra apóstolo em um sentido muito amplo para se referir a um fundador de igrejas eficaz ou a um missionário pioneiro de destaque(por exemplo , “William Carey foi um apostolo para a India”). Se usássemos a palavra nesse sentido amplo, todos concordariam que há apóstolos ainda hoje – porque certamente temos missionários atuantes e fundadores de igrejas. Mas há outro sentido para a palavra apóstolo. Com freqüência muito maior no Novo Testamento refere-se a um oficio especial, “apostolo de Jesus Cristo”. Nesse sentido estrito do termo, não há apostolo hoje, e não devemos esperar mais nenhum apostolo.
a)      Qualificações de um apostolo.
·         Ter visto Jesus após sua ressurreição(Ser testemunha ocular da ressurreição)
·         Ter sido especificamente comissionado por Cristo como seu apóstolo.
Resumindo, a palavra apóstolo pode ser usada em um sentido amplo ou restrito. Em sentido amplo ela significa “mensageiro” ou “missionário pioneiro”. Mas em sentido restrito, que é o mais comum no Novo Testamento, refere-se a um ofício especifico, “apostolo de Jesus Cristo”. Esses apóstolos tinham autoridade única para fundar e liderar a igreja primitiva e podiam falar e escrever a palavra de Deus. Muitas de suas  palavras tornaram-se as Escrituras do Novo Testamento.
·         Presbítero (Pastores,Bispos)
Eram o principal grupo de liderança das igrejas neo-testamentárias. É observada de acordo com o Novo Testamento a pluralidade de presbíteros em cada igreja e em cada cidade.Presbíteros são chamados “pastores “ ou “bispos” no Novo Testamento. A palavra menos usada na forma substantiva é pastor.(Gr. Poimen). Uma das principais funções do Presbítero era  dirigir as igrejas do Novo Testamento. Também tinham responsabilidade no ensino da igreja. Suas qualificações encontram-se em 1Tm 3:2-7 e Tt 1:6-9 , basicamente.
·         Diácono
A Palavra diácono é tradução da palavra grega diakonos, que é o termo comum que se traduz por “servo”, quando usado em contextos não eclesiásticos. Vale a pena salientar que prioritariamente não é função do diácono liderar, como os presbíteros. Não se exige que sejam capazes de ensinar a Biblia ou a sã doutrina.

FORMAS DE GOVERNO ECLESIÁSTICO

Fica evidente que as formas de governo da igreja podem ser divididas em três grandes categorias, que podemos chamar de “episcopal”, “presbiteriana” e “ congregacional”.
·         Episcopal
No sistema episcopal um arcebispo tem autoridade sobre muitos bispos. Estes por sua vez tem autoridade sobre uma diocese, o que significa simplesmente igrejas sob a jurisdição de um bispo.
·         Presbiteriano
Nesse sistema cada igreja local elege presbíteros para um conselho. O pastor da igreja é um dos presbíteros do conselho,  com a mesma autoridade dos outros presbíteros. Esse conselho tem autoridade para dirigir a igreja local.
·         Congregacional
Um único presbítero ou pastor.

5-      A MISSÃO DA IGREJA
TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO(Donald Guthrie).
Jesus tinha em mente uma comunidade que ensinaria seus mandamentos, seria unida por uma lealdade comum a Cristo, representada pelo batismo, e consideraria sua responsabilidade ir além de seu círculo imediato e acrescentar outras pessoas ao seu numero, independente da nacionalidade. Foi uma visão  surpreendente, para um grupo de discípulos judeus, a aceitação desse conceito como possível  e até como desejável. A igreja primitiva não desenvolveu por livre iniciativa uma comunidade evangelística. Ela recebeu um mandamento do Senhor ressurreto que não podia ser ignorado. Ele deu muitas indicações acerca da organização eclesiástica , mas não deixou  duvida de quais deveriam ser os principais objetivos da comunidade de seus seguidores. A idéia de uma comunidade fechada, introspectiva, não encontra  apoio em seu ensino. A mensagem confiada aos seus discípulos deveria se espalhar por todo o mundo.

LIVROS CONSULTADOS

Teologia do Novo Testamento- Donald Guthrie
Teologia Sistemática- Louis Berkhof
Teologia Sistemática- Alister E. McGrath
Teologia Sistemática- Franklin Ferreira e Alan Myat
Teologia Sistemática- Wayne Grudem
Eclesiologia- Enéas Tognini
A igreja- Edmund Clowney
Dicionário Teológico- Claudionor Correa de Andrade
Breve dicionário de Teologia- Justo González




segunda-feira, 17 de março de 2014

Plano de Aula de Bibliologia - Curso de Formação de Obreiros.

Plano de aula de Bibliologia

Objetivos da aula:
·       Os alunos devem conceituar corretamente Bibliologia.
·       Falar sobre a revelação de Deus ao homem antes de haver uma Bíblia.
·       Falar sobre o livro Biblia, sua história , sua estrutura , sua mensagem.
·       Mostrar aos alunos a importância de conhecer melhor o livro que nos serve de regra de prática e de fé.

1-    Conceitos de Bibliologia.
O dicionário teológico de Claudionor Corrêa de Andrade define: ( Do Gr. Biblios,livro;logia,discurso ou tratado racional sobre determinado assunto). Divisão da Teologia Sistemática que versa sobre a origem,formação, inspiração,autoridade e confiabilidade das Sagradas Escrituras,como a infalível Palavra de Deus.
Segundo Antonio Gilberto essa disciplina é chamada de Isagoge nos cursos superiores de teologia.
2-    A revelação geral e a especial.
Deus retira o véu de duas maneiras:
·       Revelação Geral
Deus se revela na natureza. Vale a pena aqui ressaltar que não se trata de identificar Deus com a natureza e sim de reconhecer que ele se revela através da natureza. Essa revelação é intuitiva e muito antiga encontrando apoio no A.T e no N.T. (Sl 14:1, 19:1ss,At 14:17,17:22-29,Rom 1:19-21). Tomás de Aquino denominava esse conhecimento de Teologia natural. Esse conhecimento é limitado pois nos leva a fazer perguntas a respeito da fonte, da razão e do propósito de sua existência. O trágico disso, porém, conforme diz o apostolo Paulo, é que desde a queda as pessoas transformam o conhecimento de Deus em práticas perversas: em vez de adorá-lo, adoram imagens, criaturas ou coisas criadas(Rom 1:18-2:16). Martinho Lutero reconheceu a validade de um conhecimento natural de Deus. Para ele as maravilhas do mundo natural estão entre os “véus” ou “máscaras” de Deus por meio dos quais ele se dá a conhecer.
·       Revelação Especial
Pela revelação especial, Deus se propõe a compartilhar a salvação de várias maneiras. A humanidade não saberia coisa alguma a respeito dos propósitos messiânicos de Deus em Cristo se Deus não houvesse dado a conhecer seu coração e seus propósitos por meio da Escritura. Deus se comunicou com os patriarcas por intermédio da articulação da linguagem numa comunicação direta(Gn 3:14-19,6:13-21,7:1-4,12:1-3). De outras formas Deus se revelou:
a)    O Senhor apareceu.
Na tenda de Abraão(Gn 18:1-15).
Na sarça ardente( Ex 3:1-22).
Na nuvem( Ex 34:6,7).
No fogo e na nuvem no Sinai( Ex 19)
b)    Por sonhos e visões.
Ao jovem Samuel( 1 Sm 3:1-14)
c)     Movendo interiormente para que escrevessem.
Os profetas.
Os apóstolos.
d)    O ponto alto da revelação foi a encarnação de Jesus.( Jo 1:14-18, Gl 4:4,5,Hb 1-2).
O ponto central da revelação especial é , antes de qualquer outra coisa, o texto; o ponto central da revelação é a informação ou desvelamento que Deus concede de si mesmo e de seus propósitos.

3-    A origem da Bíblia.

a)    Um breve resumo acerca do livro Bíblia.
O A.T. contém a Bíblia hebraica e é a primeira parte da Bíblia cristã. É a literatura de um povo pequeno e próspero, chamado povo hebreu. Este se situa no Antigo Oriente Próximo e aparece habitando entre os séculos XIII-XII a.C., a terra de Canaã ou Palestina. Este povo escolhido, é vocacionado por Deus para ser mediador entre Deus e os homens. Deus encarnou seu pensamento e vontade na mentalidade e na história desse povo. É importante notar que a mentalidade na qual os livros bíblicos foram concebidos, a partir da tradição oral e depois escrita , difere do nosso modo de ver e pensar o mundo em nossa volta. A Bíblia  é um livro que difere em vários sentidos, de qualquer outro, quer em razão da sua diversidade de estilos, de formas e de gêneros, quer em razão da sua unidade, que gira em torno do plano bondoso de Deus: Comunicar-se, pessoalmente com os homens para levá-los ao conhecimento de Si e de seu inefável plano de amor.
A Bíblia foi e ainda é a maior Best-seller da história da humanidade, pois é o livro mais vendido, traduzido e difundido em várias línguas e dialetos.
b)    A estrutura da Bíblia.
Não se pode esquecer que a Bíblia está inserida na lista dos livros antigos. Os livros antigos tinham a forma de rolos( Jr 36:2). Eram feitos de papiro ou pergaminho.O papiro é uma planta aquática que cresce junto a rios, lagos e banhados , no Oriente Próximo, cuja entrecasca servia para escrever. Do papiro deriva-se a nossa palavra  papel. Seu uso na escrita vem de 3.000 a. C. Pergaminho é pele de animais, curtida e polida , utilizada na escrita. Seu uso é mais recente que o do papiro. Vem dos primórdios da Era Cristã, apesar de já ser conhecido antes.
Vejamos agora a estrutura da Biblia propriamente dita.
·       Ela divide-se em duas partes principais.
·       Tem 66 livros escritos por cerca de 40 autores num período de 16 seculos.
·       Nas edições paulinas o total é de 73 livros, denominados apócrifos.
O A.T se subdivide em 4 grupos, conforme seus assuntos. São eles: Lei, História, Poesia e Profecia.
O N.T se subdivide em 4 grupos também. São: Biografia, História, Epístolas e Profecia.
De acordo com o Pr. Antonio Gilberto , se tomarmos Jesus como centro da Bíblia, podemos resumir os 66 livros em cinco palavras:
a)    PREPARAÇÃO. Todo o A.T., pois trata da preparação para o advento do Messias.
b)    MANIFESTAÇÃO. Os Evangelhos tratam da encarnação do verbo.
c)     PROPAGAÇÃO. Atos dos Apostolos trata da propagação do evangelho e seu conseqüente avanço.
d)    EXPLANAÇÃO. As Epistolas explanam a doutrina de Cristo.
e)    CONSUMAÇÃO. Apocalipse trata da consumação de todas as coisas preditas, através de Cristo.
Dados importantes:
O A.T. tem 929 capítulos, 23214 versículos.
O N.T. tem 260 capítulos, 7959 versículos.
A Bíblia tem 1189 capítulos, 31 173 versículos.
O maior capítulo da Biblia é o Salmo 119 e o menor o 117.
Agostinho dizia que o N.T. acha-se velado no A.T., e o Antigo revelado no Novo. Assim, Cristo se esconde no Antigo Testamento e é desvendado no Novo.

c)     A mensagem da Bíblia.
Acima vimos a Bíblia como livro, agora veremos a mesma como a mensagem ou a Palavra de Deus. Ela tem por finalidade o conhecimento de Deus. Norman Geysler diz que “ a característica mais importante da Bíblia não é sua estrutura e sua forma, mas o fato de ter sido inspirada por Deus. Walter. A. Elwell ET Al., afirma que Deus tomou a iniciativa de tornar a si mesmo, seus juízos contra o pecado e a injustiça, sua misericórdia e graça em Cristo conhecidos dessa maneira. Essa palavra continua a ser sua revelação sagrada, quer as pessoas acolham, quer não”. Existem varias provas de que a Biblia de fato é a Palavra de Deus. São elas a sua inspiração divina, a sua perfeita unidade e harmonia, sua aprovação por Jesus, O testemunho do Espírito Santo, o fiel cumprimento de suas profecias, sua influência benéfica nas pessoas e nas nações, ela é sempre nova e inesgotável, ela é familiar a cada povo ou indivíduo em qualquer lugar, sua superioridade em relação aos demais livros e sua imparcialidade.

CONCLUSÃO

Infelizmente falta-nos espaço e tempo para compartilharmos diversos outros assuntos a serem estudados em Bibliologia, tais como o estudo das Linguas originais, O Cânon do Antigo e Novo testamentos, a preservação e as traduções da Bíblia e etc.
Que Deus em Cristo nos desperte um maior interesse pelo estudo das Sagradas Escrituras.
Concluo com a frase de Donald Grey Barnhouse: “O caminho mais curto para entender a Bíblia é aceitar o fato de que Deus está falando em cada linha”.
Alisson de Almeida

Fontes de consulta
Curso de Formação de Líderes e Obreiros(David Horton)
A Bíblia e sua mensagem(Leonardo Agostini Fernandes)
A Bíblia através dos séculos(Antonio Gilberto)
Introdução Bíblica(Norman Geysler e William Nix)
Dicionário Teológico(Claudionor Corrêa de Andrade)
Breve dicionário de Teologia(Justo González)


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Resumo e comentários sobre o livro "10 acusações contra a igreja moderna" de Paul Washer.

A primeira defesa de Paul Washer é extraordinária. A suficiencia das Escrituras deve de fato ser um dos pontos a ser defendido em nossos dias. Até que ponto Psicologos, Sociólogos e Antropólogos devem ter a resposta final sobre questões relacionadas a Igreja? Aristóteles está andando com mais frequencia nos corredores dos grandes seminários teológicos , do que o apostolo Paulo ou mesmo que o proprio Cristo. Essa é a primeira acusação contra a igreja moderna feita por Paul Washer. Vale a pena levar a serio tais questões.
Como bem diz o Pr. John MacArthur em seu livro " Nossa suficiencia em Cristo". Ele introduz o livro recitando a sátira de C.S.Lewis, entitulada "Cartas do Inferno". A sátira descreve a estratégia de Satanás usando toda sua argúcia contra a igreja, em nossos dias. Na decada de 1940 , quando escreveu essa carta mítica do Tio Murcegão, Lewis estava diagnosticando com exatidão uma enfermidade que praticamente aleijou a igreja contemporanea. O vil "Murcegão" odiava o "cristianismo puro e simples" e queria a todo o custo , adorná-lo com ideias mundanas, modismos, assuntos palpitantes do momento ou qualquer outra idéia que pudesse vender a cristãos simplórios. Porque? Porque sabia que tais coisas tem o poder de diluir e enfraquecer a pureza da fé.
O Cristianismo puro não precisa de embelezamento. Pelo divino poder de Cristo , nos tem sido doadas todas as coisas qie conduzem à vida e à piedade. 2 Pd 1:3. (Trecho de John Macarthur em seu livro.)
Precisamos entender que nossa luta não gira em torno somente da Inspiração e Inerrância das Sagradas Escrituras, mas também de sua Suficiência. Em Cristo temos tal garantia. Que não venhamos abrir mão das máximas biblicas, dando mais ouvidos aos profissionais da religião de nossos dias, que aparecem em nosso meio como uma espécie de gurus de todo o conhecimento espiritual , porem depreciando a Suficiencia que temos em Cristo, bem como a suficiencia de sua Palavra.

Acabei de ver a segunda acusação feita por Paul Washer em sua mensagem, ligada a ignorancia que temos a respeito de Deus. 
É impressionante a forma em que o mesmo retrata o conhecimento rasteiro que temos de Deus, ao questionar a nós lideres, Quando foi que tiramos um ano para tratar da natureza de Deus, respondendo a pergunta: Quem é Deus? Ele considera o tema controverso uma vez que quando de fato estudarmos sobre os atributos de Deus, é possivel que muitos de nós rejeitemos Deus. Fala ainda sobre o problema de servirmos um deus criado por nossa propria mente e atendendo a todas as nossas vontades e desejos, quase como um Papai Noel.
Concordo plenamente com essa acusação. Aqui no Brasil, é bem comum percebermos o quanto é limitado o conhecimento de Deus que as pessoas tem. Nosso conhecimento de Deus está diretamente vinculado ao nosso conhecimento da Palavra de Deus. Vivemos na geração de crentes analfabíblicos, das mensagens fast- food, de auto-ajuda e que mais pretendem agradar as massas que satisfazer aos anelos daquele que nos constituiu porta-vozes em sua igreja. É tempo de nos voltarmos para a Palavra de Deus , igreja!

A terceira acusação na mensagem do irmão Paul Washer gira em torno de um dos assuntos mais importantes da Teologia, A depravação total do homem, devido a queda e o pecado original. Paul censura a postura das pregações atuais que procuram suprimir a mensagem do pecado. Ele chega a dizer que existem pregadores que tem orgulho de declararem não falar sobre o pecado em suas preleções. Faz uma critica ferrenha a forma superficial como tratamos o assunto da conversão. Muitas vezes em nossos apelos forçados acabamos, segundo ele, por faze-los duas vezes filhos do diabo. Ele acusa os pregadores que estão mais preocupados com o bem estar terreno das pessoas do que com a eternidade delas com Deus de serem enganadores, ladrões e imorais. Um dos pontos fortes em sua mensagem que me chama a atenção é quando ele diz: "Quando nos recusamos a ensinar sobre a depravação total do homem, é impossivel que glorifiquemos a Deus, seu Filho e sua cruz, porque a cruz de Jesus Cristo e sua glória são mais exaltadas quando colocadas diante do pano de fundo de nossa depravação".
Considero muito significativa essa acusação. Em dias em que A egolatria, o egocentrismo, o antropocentrismo se fazem tão presente no seio de nossas igrejas a ponto de não reconhecermos mais a gravidade do pecado e de suas consequencias, bem como, o problema das nossas pregações de auto-ajuda que não fazem caso do estado real do pecador, tiram do impio o direito de serem salvos , por não sentirem-se convencidos de pecado pelo Espirito. A espada do Espirito é a Palavra de Deus. Ou ministramos a Palavra de Deus com toda a verdade ou então não teremos conversões genuínas ocorrendo em nossas igrejas, cidades e países.

A quarta acusação do irmão Paul diz respeito a nossa ignorancia com respeito ao Evangelho. Ele chega a declarar que o problema dos EUA não são os políticos , não é Holywood e etc, mas sim os pastores, os pregadores e os evangelistas que não conhecem profundamente o evangelho. Ele refuta a pregação superficial acerca da regeneração, mostrando que hoje em dia estão confundindo regeneração com decisão. Também refuta o pouco caso de alguns com os evangelhos que são denominados , de maneira infeliz, como a parte introdutória do cristianismo e mais simples, para que depois se possa adentrar nos assuntos mais profundos. Ele refuta terminantemente tal pensamento. Outra coisa que é destacada por ele é a que diz respeito ao cálice que Cristo teve que beber. Ele considera herético o pensamento de que o cálice limita-se aos sofrimentos fisicos de Cristo. Ele diz que isso não é o Evangelho. Defende que o cálice que Cristo teve de beber é a justa ira de Deus , Pai , derramada sobre ele que se fez pecado por nós naquele momento, ou seja, o Calice da ira de Deus.
De fato , nós estamos familiarizados com a superficialidade de conhecimento em muitos antros evangelicos em nosso país. Conceitos heréticos também se fazem presente em muitas igrejas atualmente. De fato o maior problema que temos hoje está diretamente ligado a nossa ignorancia acerca do evangelho, bem como de uma Cristologia melhor fundamentada. Pouco ouvimos em nossas igrejas sobre a "mensagem da Cruz" que até morrer , cantamos, iremos proclamar. Vemos que está entre o grupo das mais negligenciadas em nossos pulpitos hoje em dia. Sendo assim , concordo plenamente com a quarta acusação.

A quinta acusação pregada por Paul Washer diz respeito a algo muito comum em nossas igrejas. A nossa forma antibíblica de convite ao pecador, o que tradicionalmente denominamos de apelo. Washer faz questão de diferenciar Regeneração de Decisionismo. Fala sobre a mensagem de abordagem que fazermos ao pecador, muitas vezes dizendo a ele que Deus o ama, Que Deus tem um proposito maravilhoso em sua vida e etc, quando na verdade deveríamos sondar por meio de outro tipo de indagação , se de fato sua conversão foi genuína. Ele critica esse tipo de conversão de 5 minutos muito comum em nossos dias que nada tem a ver com Nascer de novo. Quantos tomam uma decisão sob pressão e ao sair da igreja voltam a ser os mesmos pecadores de outrora. A pergunta de Washer é: Houve conversão, A decisão nesse caso pode se equiparar a regeneração, uma vez que a arvore é reconhecida por seus frutos? Ele acredita que esse tipo de evangelismo em massa mais preocupado com numeros do que com conversão é o que se constitui um grave e grande problema na igreja atual.
De certa forma concordo com o pensamento do irmão Washer , concernente a forma em que se dá nosso apelo hoje. Tenho observado muitas decisões indecisas em nossos cultos, muitas decisões como forma de não se sentir mal, tipo uma coação ou coisa do genero, muito decisionismo desprovido de fé para a salvação. Por outro lado vemos também as propagandas em torno das aparentes conversões por parte de alguns pregadores. Eu preguei e 10 pessoas vieram a frente, 50 pessoas levantaram as mãos e coisas desse tipo. Falo por conhecimento de causa que são pouquissimas as pessoas que permanecem oriundas desse tipo de movimento. É necessário que o pecador creia na palavra e conscientemente tome sua decisão interna antes de qualquer ato externo , e penso que essa deveria ser a meta da igreja e do pregador. Que tudo o que fizermos seja para a glória de Deus.

Vamos falar um pouco sobre a 6ª acusação na pregação de Paul Washer. Pois bem! Ela está diretamente ligada a ignorancia com relação a natureza de igreja. Ele ja inicia dizendo que pregadores itinerantes geralmente tem bem mais prestigio que pastores justamente devido a ignorancia. Ele afirma que algumas afirmações propaladas por pregadores, pastores e evangelistas beiram a blasfêmia, tais quais, a igreja está dividia, a igreja está cheia de pecados e a igreja é como uma prostituta. Ele discorda do pensamento que no seio da igreja existe um remanescente. Ele afirma ser a igreja o remanescente. Ele diz que a igreja de Jesus é bela, é santa e é preciosa. O problema são os lobos no meio das ovelhas, o joio no meio do trigo. Ele declara ainda que os crentes genuínos acabam sendo esbofeteados por causa dos que nunca foram igreja. Ele nos estimula a entendermos melhor a natureza da igreja para não saírmos propalando ensinos distorcidos.
Particularmente, entendo o pensamento de Paul Washer em relação a esse assunto. A nossa Eclesiologia em muitas de nossas igrejas é muito superficial. No maximo declaramos em nossas preleções que Igreja , vem do Grego "Eklesia" que alguns resumidamente declaram significar" os tirados para fora". Gosto muito da abordagem do Pr. Enéas Tognini em seu livro "Eclesiologia". São essas as Definições:
1- Etmológica: Ekklesia. F.A.J Hort diz: Não há fundamento para a noção largamente espalhada de que Ekklesia significa um povo ou numero de indivíduos chamados para fora do mundo, ou da humanidade em geral. A chamada para fora era apenas a convocação dos cidadãos de uma cidade grega fora de suas casas pela trombeta do arauto para reuní-los em assembleia.(Trecho do livro "Eclesiologia" de Eneas Tognini, pag 33).
É necessário buscarmos uma Eclesiologia mais bíblica em nossos dias e acima de tudo buscando pressupostos mais teológicos em sua epistemologia.

A 7ª acusação trata de um assunto muito negligenciado por grande parte das igrejas hoje. Washer fala sobre a importancia da disciplina eclesiástica e o pouco caso dos lideres com esse assunto. Ele chega a dizer que alguns lideres se pudessem arrancariam Mt 18 de suas Biblias. Ele diz que muitos pastores são teológicos no escritório, são teológicos na conversa, porém ao saírem de seus escritorios , conduzem a igreja por meios carnais. Ele argumenta que alguns líderes dizem: "Não podemos praticar disciplina - somos muito amáveis". Ele pergunta? Voces são mais amáveis do que Jesus? É ele quem ordena a disciplina! Declara ainda que não confrontamos nossa cultura somente por meio de protestos publicos diversos, mas principalmente por nossa obediencia a Deus. Ele deixa claro que não está fazendo menção a pessoas críticas, legalistas e odiosas, mas a pastores, lideres que amam muito o colocar a vida em ordem, porque sabem que isso não é uma brincadeira. Ele conclui dizendo que não é o discipulado individual a causa do sucesso de uma igreja, mas sim a falta de conversão, uma vez que os discipulados individuais tiveram seu estabelecimento como metodo nas decadas de 60 e 70.
Pois bem! O Rev. Augustus Nicodemus Lopes introduz seu livro "Mantendo a igreja Pura" dizendo: "Quando fui perguntado recentemente sobre a maior necessidade da igreja evangélica no Brasil, não tive dúvidas em responder que é o exercício da disciplina bíblica.Há muitas outras necessidades, eu sei. Todavia, nenhuma me parece tão urgente e necessária como a aplicação da disciplina conforme a Biblia prescreve".
Nesse livro meus irmãos, o Rev. Augustus Nicodemus vai tratar de varios assuntos, dentre eles, As causas da impunidade, a necessidade de prestarmos conta, Quem deve ser disciplinado na igreja, A necessidade de disciplina, O padrão para a disciplina, Os propositos da disciplina,Como tratar pecados públicos, como tratar ofensar pessoais e o encorajamento para o exercício da disciplina.
Eu recomendo a leitura desse pequeno livro mas de um conteúdo muito significativo, para um melhor aproveitamento da temática Disciplina Eclesiastica.

Paul Washer em sua 8ª acusação trata de um assunto delicado. A omissão da pregação sobre a separação do crente , ou seja, sobre santificação. Ele declara que até se ouve falar sobre o assunto, porem sem entender as entrelinhas do assunto. Ele destaca que esse assunto está diretamente ligado ao ensino sobre a regeneração e a providência de Deus. Ele afirma que se Deus converte verdadeiramente uma pessoa, ele continuará agindo nessa pessoa por meio de ensino, benção, admoestação e disciplina. Ele cre que se você não está crescendo em santidade, Deus não está agindo em sua vida e se ele não está agindo em sua vida é porque voce não é filho de Deus. Washer considera evasivas frases como " Já dei meu coração a Deus" e "Não se conhece um livro por sua capa" e as refuta lembrando que Jesus disse que uma árvore é reconhecida por seus frutos.
O mesmo relembra os puritanos que fizeram tentativas sinceras de colocar tudo em sua vida sob o senhorio de Cristo. Por fim ele declara que de fato há um silencio com relaçao a nossa separaçao do mundo.
Infelizmente essa temática enquadra-se dentre varias outras que tem sido negligenciadas pelos pregadores modernos. Como é triste percebermos que há uma crise de identidade no meio evangelico. Dificil saber quem é quem. O que dizer dos nossos absolutos em tempos de crescente relativismo ético e moral que se instala no seio de nossas igrejas?
Quanto a questão central dessa acusação , sou solidário.

A 9ª acusação de Washer em seu sermão gira em torno da influencia da Psicologia e Sociologia em nossas igrejas. Ele começa declarando que nossas reuniões de domingo são lindas. Apenas porque parece que haver uma adoração bonita, um sermão bem apresentado e pessoas comovidas, isso não é evidencia de verdadeira espiritualidade. Ele diz que a verdadeira espiritualidade se evidencia no lar, no casamento , na criação dos filhos. Ele diz que a maioria das pessoas que conversam com ele querem falar sobre sociologia, psicologia e não citam um versículo bíblico para fundamentar suas opiniões. Ele parafraseia o versículo dizendo:" O que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder sua familia?". Ele censura a forma de evangelismo e outros eventos que ocorrem na igreja. Ele declara que a situação de nossas igrejas é precária e que tendemos a fechar os olhos para tal estado. Ele conclui dizendo que transgredimos principio apos principio da palavra de Deus e ainda nos admiramos de que tudo esteja uma bagunça.
John MacArthur em seu livro "Nossa Suficiencia em Cristo" , destaca três influencias letais que minan a vida espiritual da igreja. Diz ele:" O Gnosticismo na realidade nunca morreu. Traços de influencia gnóstica tem infectado a igreja através de sua história. Atualmente, uma tendência neo-gnóstica de se buscar conhecimento oculto vem ganhando uma nova influencia e trazendo consigo resultados desanimadores. Em ambientes onde são toleradas a doutrina imprecisa e uma negligente exegese biblica, onde definham tanto o discernimento quanto a sabedoria bíblica, as pessoas tendem a procurar algo mais que a simples suficiencia que Deus providenciou em Cristo. Hoje como nunca antes, a igreja tem se tornado negligente e atordoada quanto à verdade bíblica, e isso a tem conduzidos a uma busca sem precedentes pelo conhecimento oculto. Isso é neo-gnosticismo, e tres de seus traços principais, presentes hoje na igreja, indicam que ele está ganhando ímpeto: A PSICOLOGIA, O PRAGMATISMO E O MISTICISMO.
Recomendo a leitura desse livro a todos os irmãos para uma melhor compreensão da temática.

a 10ª acusação de Paul Washer está relacionada aos pastores mal nutridos na Palavra de Deus. Ele diz com base no Texto de Timoteo que o que precisamos fazer é "alimentado com as palavras da fé", porém ao invés disso , sempre queremos correr e fazer alguma coisa. Queremos consertar alguma coisa.Mas Deus está procurando homens de caráter, espadas afiadas. Ele declara que voce não pode aprender bem a doutrina se não segue a doutrina que está aprendendo. Ele continua dizendo: É preciso que nos exercitemos para a piedade. Washer se dirige aos jovens e diz: Jovens, disciplinem-se a si mesmos para a oração, disciplinem-se a si mesmos para a leitura sistematica das Escrituras, de Genesis a Apocalipse, repetidas vezes. Disciplinem-se a si mesmos em seu falar, disciplinem-se a si mesmos nas companhias que voces mantém, disciplinem-se a si mesmos quando vão para a cama e quando levantam. Estamos numa guerra, disciplinem-se a si mesmos. Em outro momento Paul Washer diz algo forte: Enquanto voces são jovens, tem vigor, trabalhem com toda a sua força.Peguem aqueles seus estúpidos video games e os destruam e joguem a TV pela janela. Voces foram criados para coisas maiores do que essas. Ele conclui dizendo:" Somos homens de Deus. Somos ministros do Altissimo. Em nós deve haver algo diferente. Em nossos olhos deve haver uma contemplação permanente de uma estrela distante. A maior coisa que podemos fazer por nosso povo é sermos homens de Deus, absorvidos nas coisas de Deus, para que, ao abrirmos a boca a Palavra de Deus se manifeste.
Concordo plenamente com esse ponto. É triste vermos lideres que não priorizam a Palavra de Deus nem em suas vidas e nem em suas igrejas. Um dos grandes embates que temos está relacionado a centralidade da pregação da Palavra de Deus em nossos Pulpitos. Chega de alimentar as ovelhas com capim seco, Chega de enchermos os ouvidos da membresia da igreja com achologia. Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar , que maneja bem a Palavra da verdade. 2 Tm 2:15.

Espero sinceramente que os meus amados amigos e irmãos , tenham sido edificados por esse resumo comentado que fiz sobre esse livro tão importante , que traz um apelo contemporaneo e urgente as nossas igrejas e lideranças atuais. Se não comprou esse livro eu recomendo ok. 
Deus abençoe a todos.
Amém
Alisson de Almeida